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domingo, 14 de outubro de 2012

Andorinha dos beirais

(Delichon urbicum)  -  Linnaeus, 1758

É uma pequena ave migratória, que passa o verão na Europa e nas regiões temperadas da Ásia e o Inverno na África subsariana e Ásia tropical.

Alimenta-se só de insectos, que apanha durante o voo. Tem a cabeça e toda a parte superior do corpo de cor preta azulada, enquanto que o uropígio e a parte inferior do corpo e das asas são brancos. As patas, curtas, são cor-de-rosa e estão cobertas com penugem branca.  Os seus olhos são castanhos e o bico, pequeno e fino, é preto. Pode ver-se tanto nas zonas habitadas pelo homem como no campo.

Os prados, os pastos e os campos cultivados, junto à água, constituem o seu habitat preferido.

Os seus ninhos são construídos, nas fachadas, com lama e palhas, por baixo dos beirais das casas.

O seu comprimento chega aos 13 cm, a envergadura pode ter 29 cm e o peso não ultrapassa 18 gramas. 

Os movimentos migratórios das andorinhas que nidificam na Europa cruzam todo o Mediterrâneo e o Saara. Por norma deslocam-se durante o dia e só muito raramente de noite. Durante estas deslocações chegam a morrer muitos milhares de exemplares, vítimas da acção dos fortes nevões que ocorrem nos Alpes Suíços.

Sendo uma ave gregária, tem tendência a nidificar em colónias com muitos ninhos que chegam a ser construídos unidos uns aos outros. A postura é de 5 ovos e a incubação, a cargo das fêmeas, dura à volta de um mês. Têm, quase sempre, duas ninhadas por ano. 



Reino:     Animalia
Filo:       Chordata
Classe:   Aves
Ordem:  Passeriformes
Família:  Hirundinidae
Género:  Delichon
Especie: D. urbicum


                                    Imagens captadas em Cortiçadas, Montemor-o-Novo







quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Garça-branca-grande

(Ardea alba) - Linaeus, 1758

É muito parecida com a garça-branca-pequena só que com o tamanho muito mais avantajado. Tem praticamente as mesmas dimensões da Garça-real. A sua plumagem é totalmente branca, o seu bico é amarelo e as patas escuras amareladas. Na época do acasalamento apresenta tufos de penas no dorso.

Por se tratar (sobretudo) de ave invernante, que não nidifica em Portugal, é entre Outubro a Março que mais facilmente se pode observar. Não existe em grande abundância no nosso país. Prefere as zonas húmidas como albufeiras, arrozais e salinas fora de uso. No litoral centro tem sido vista no estuário do Mondego, nos arrozais do baixo Mondego e na lagoa de Quiaios. Na Beira Interior frequenta as albufeiras da Marateca e da Toulica. No Vale do Tejo pode observar-se na Ribeira da Enguias, no Paul da Barroca e nos arrozais da Giganta. No Alentejo o estuário do Sado, a lagoa dos Patos, a lagoa de Santo André e a albufeira do Alqueva constituem os melhores locais para se observar esta ave. No Algarve já tive oportunidade de ver alguns exemplares na Ria Formosa.

O peixe constitui o seu principal alimento, mas come também anfíbios, répteis, insectos e pequenos roedores.

Reino:   Animalia
Filo:      Chordata
Classe:  Aves
Ordem:  Pelecaniformes
Família: Ardeidae
Género: Ardea
espécie: A. alba

                           Imagens captadas na Ria Formosa, nas proximidades de Olhão.











sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Cegonha-branca

(Ciconia ciconia) - linnaeus, 1758

De plumagem branca, apenas com parte das asas pretas, é ave de grande porte, que chega a atingir os 125 cm de altura e 215 cm de envergadura. Possui patas vermelhas muito compridas e bico, também vermelho, longo e pontiagudo. A coloração vermelha do bico e das patas deve-se à utilização de carotenóides (sobretudo astaxantina, proveniente de uma espécie de lagostim) na sua alimentação. Distribui-se pela África, Europa e Ásia. Estamos em presença de uma migradora de grande distância. Nas sua deslocações entre a Europa e a África, evita a travessia do Mediterrâneo, devido à falta de térmicas de ar de que necessita, fazendo o desvio  pelo Estreito de Gibraltar ou pelo Levante.

Como carnívora que é, inclui na sua dieta alimentar animais variados, como insectos, peixes, anfíbios répteis, pequenos mamíferos e pequenas aves. Apanha a comida do chão, em locais de pouca vegetação, em prados, terrenos agrícolas  ou dentro de água pouco profunda.

Apesar de monogâmica, não adopta o mesmo par para sempre. A eclosão dos ovos, em número de quatro, ocorre quase 5 semanas após a postura. Os dois progenitores revezam-se na incubação e na alimentação das crias. Estas abandonam os ninhos aos dois meses de idade, mas continuam dependentes dos adultos, no que à alimentação diz respeito, durante mais uma a três semanas.

Comunica através de um ruído provocado pelo abrir e fechar do bico, semelhante ao disparo de uma metralhadora distante, amplificado pela garganta, actuando como ressonador. Com ritmos e intensidades diferentes os ruídos são utilizados em diversas interacções sociais. Fica mais alto quanto mais longo. Durante a copulação é mais lento e quando usado para chamamento de alarme é breve.

É uma ave gregária que voa  em bandos desorganizados.

Reino:     Animalia
Filo:        Chordata
Classe:    Aves
Ordem:   Ciconiiformes
Família:  Ciconiidae
Género:  Ciconia
Espécie: C. ciconia



            Imagens captadas na Herdade da Pitamariça de Baixo, Lavre, Montemor-o-Novo.








domingo, 16 de setembro de 2012

Garça Real (Garça Cinzenta)

(Ardea cinerea) - Linaeus, 1758

Ave robusta e grande, com o dorso cinza e as partes inferiores brancas e acinzentadas, possui uma faixa superciliar negra. O bico e as pernas apresentam-se com coloração amarela acinzentada. É a maior das garças europeias chegando a atingir perto de 1 metro de altura, quase 2 metros de envergadura e 2 kg de peso.  O seu bico, direito e forte, é afilado e longo, o pescoço é longo e as pernas são altas. Vive cerca de 25 anos e atinge a maturidade aos 2 anos. Conhecida no Brasil como garça-real-europeia e em Angola como galangundo, é muito abundante na Europa, nomeadamente em Portugal.

Tanto  vive nas costas marítimas como em água doce pouco profunda. Aparece em todas zonas húmidas, com particular relevância nos grandes estuários e lagoas costeiras. Desloca-se lentamente em águas de pequena profundidade, imobiliza-se completamente antes de atacar  as suas presas, o que faz com um golpe magistral, de tal forma rápido, que não lhes dá qualquer hipótese de fuga.

O peixe constitui a base da sua alimentação se bem que também coma batráquios, répteis, pequenos mamíferos, insectos e moluscos.  Consegue digerir bem as espinhas dos peixes mas regurgita os pelos dos roedores sob a forma de bolas.

Nidifica em colónias, em plataformas construídas sobre árvores, próximas de água. A incubação dos ovos, em número de 3 a seis, é feita alternadamente por ambos os progenitores, durante quatro semanas. Os juvenis começam a voar às 7 semanas e ao fim de 8 a 9 tornam-se independentes dos pais.

O bater lento e pesado das asas e a retracção do pescoço durante o voo ocasiona que, por vezes seja confundida com aves de rapina. São estas características que a distinguem da cegonha.

Reino:    Animalia
Filo:       Chordata
Classe:  Aves
Ordem: Ciconiformes
Família: Ardeidae
Género: Ardea
Espécie: A. Cinerea



Imagens captadas no Parque Natural da Ria Formosa, Olhão.









sábado, 30 de junho de 2012

Papagaio verde (ou Periquito-de-colar)

(Psittacula Krameri)- Scopoli, 1769

As suas estridentes vocalizações, tanto em voo como quando se alimenta, permitem facilmente detectar a sua presença. Com tonalidade geral verde possui uma cauda e asas compridas, bico grande e vermelho em forma de gancho. Mede de 38 a 43 cm. O macho tem um característico colar preto e rosa. Voa, quase sempre, em bandos que podem atingir dezenas de exemplares.

Pode viver até 30 anos, embora, em média dure cerca de 20. 

É uma espécie exótica de origem africana e asiática, pertencente à família dos papagaios (psitacídeos). A sua presença entre nós deve-se a fugas de cativeiro ou mesmo a  libertações propositadas.

A sua distribuição em portugal é muito localizada. Pode ser visto sobretudo em parques e jardins de Lisboa (jardim da Estrela, Jardim do Ultramar, zona da Estefânia e Parque Calouste Gulbenkian) e também nos Jardins de Oeiras. No norte tem sido observado no Parque da Cidade, no Porto. No Alentejo vê-se na Comporta (junto ao estuário do Sado). No Algarve tem sido avistado na zona do Alvor.

Reino:    Animalia
Filo:       Chordata
Classe:   Aves
Ordem:  Psitaciformes
Família: Psittacidae
Género: Psittacula
Espécie: P. Krameri



Imagens captadas em Oeiras






(Psittacula Krameri)

domingo, 20 de maio de 2012

Flamingo (Flamingo-rosado)

(Phoenicopterus roseus)

Até  à década de (19)80 era muito raro verem-se flamingos em Portugal. A partir desta altura passaram a observar-se, nas zonas húmidas pouco profundas, grandes bandos, que actualmente chegam a ter centenas de indivíduos.

 Esta é de todas a maior espécie de flamingos, com o pescoço e pernas muito longos, podem medir de altura entre 110cm a 150cm, ter uma envergadura de 140cm a 170cm e  pesar entre 2 a 4 Kg. A plumagem tem um tom cor-de-rosa, que se nota mais durante o voo, originada pela ingestão de alimentos ricos em carotenóides. Enquanto descansam imobilizam-se e dobram uma das patas mantendo-a junto ao peito enquanto a outra sustenta o corpo em impressionante equilíbrio.

Alimentam-se, por filtragem, de algas, pequenos crustáceos e moluscos. Os estuários, os arrozais e as lagoas junto à costa constituem os seus habitats preferidos. Os ninhos, feitos pelas fêmeas, são altos. A postura é de apenas dois ovos que demoram 30 dias a eclodir. A nidificação não ocorre todos os anos dependendo de diversos factores nomeadamente o nível das águas das zonas que habitam.

A África, o Sul da Europa e a Ásia ocidental constituem as principais áreas de distribuição de flamingos. Podem observar-se por cá durante todo o ano mas não nidificam no nosso País, sendo originários das colónias espanholas (Laguna de Fuente de Piedra, em Málaga e Doñana, em Huelva)        e francesa (Camargue). 

 Em Portugal na região Centro podem observar-se nas Ria de Aveiro, no estuário do Mondego e na lagoa de Óbidos. Na zona de Lisboa e Vale do Tejo podemos vê-los no estuário do Tejo nas lezírias da Ponta da Erva, em Pancas, no sítio das Hortas e na Ribeira das Enguias; podem também, por vezes ser vistos na margem Direita do Tejo, no Parque do Tejo e nas salinas de Alverca. No Alentejo é o estuário do Sado o melhor sítio para os ver podendo também ser avistados na lagoa de Santo André e na lagoa dos Patos. No Algarve podem ver-se no Ludo, na reserva de Castro Marim, no rio Alvor, no estuário do Arade e na lagoa dos Salgados.




Reino:  Animalia
Filo:     Chordata
Classe: Aves
Ordem: Phoenicopteriformes
Família: Phoenicopteridae
Género: Phoenicopterus
Espécie: P. roseus


                                                Imagens captadas em Alcochete











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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Pernilongo

(Himantopus himantopus) - Linnaeus, 1758

De plumagem branca e preta, parda nos imaturos, pertencente ao grupo das límiculas, o pernilongo assemelha-se a uma cegonha em miniatura. Como pernalta que é, possui pernas muito compridas, cor de rosa avermelhada. O seu bico preto, comprido, brilhante e ponteagudo está perfeitamente adaptado à alimentação em águas pouco profundas. Mede entre 35 a 40 cm e pesa de 170 a 200 gramas. Fora da época da nidificaçãoção pode ser visto em pequenos bandos.

O casal, sazonalmente monogâmico, utiliza como ninho uma cova no solo, perto da água. A postura é de 2 a 4 ovos, cor de azeitona com manchas pretas, que facilmente se confundem com o solo. A incubação, com cerca de 25 dias de duração, é feita pelo casal.  As suas crias, muito precoces e nidífugas, possuindo grande capacidade de se auto-alimentarem, abandonam o ninho logo que se dá a eclosão.

Vive em ambientes aquáticos lamacentos: salinas, viveiros, charcos, lagos pouco profundos, arrozais e outros terrenos encharcados.

Alimenta-se de invertebrados aquáticos incluindo insectos, larvas bivalves, crustáceos e vermes, mas também de pequenos vertebrados como girinos e peixes. É muito activo na procura de alimentos.

No Sul do País pode-se considerar como uma espécie sedentária. As Rias Formosa e de Castro Marim e também os estuários do Tejo e do Sado são os locais privilegiados para a sua observação.

Reino:   Animalia
Filo:      Chordata
Classe:  Aves
Ordem:  Charadriiformes
Família:  Recurvirostridae
Género:  Himantopus
Espécie: H. himantopus

                                                  Imagens captadas em Alcochete