segunda-feira, 13 de junho de 2016

Lagartixa do mato

(Psammodromus algirus)

Com cerca de 9 cm, esta é a maior lagartixa perfeitamente adaptada aos climas mediterrânicos, com uma cauda com cerca do dobro do comprimento do corpo. No dorso possui uma saliência longitudinal e, lateralmente apresenta duas linhas amarelas ou brancas. No ventre é esbranquiçada. Atrás da inserção dos membros anteriores apresenta manchas azuladas e atrás da inserção dos membros posteriores podemos também notar a presença de manchas mas avermelhadas.

Os macho, mais forte que a fêmea, apresenta-se com a garganta e os lados da cabeça pigmentados de laranja, durante a época da reprodução.

Existe no Sul da Europa e em quase toda a Península Ibérica.

A sua dieta alimentar é, preferencialmente, constituída por aranhas, gafanhotos, escaravelhos e formigas. De vez em quando também ingere sementes, frutos e até pequenas lagartixas.

As aves de rapina, cegonhas, garças, cobras, sardões e a víbora cornuda constituem os seus predadores naturais.

A reprodução ocorre na Primavera e prolonga-se até metade do Verão. Os ovos, em número próximo da dúzia, levam cerca de três semanas a desenvolver-se, a postura verifica-se entre Maio e Junho e a incubação dura de dois a três meses. A eclosão acontece entre Agosto e Outubro. A maturidade sexual é atingida ao segundo ano de vida e pode viver até aos sete anos.


 Nas regiões mais quentes mantém-se activa durante todo o ano, atingindo um pico de actividade entre Abril e Maio.

Dos lados do pescoço possui uma bolsa nas pregas da pele, onde se alojam carraças, possivelmente para evitar a propagação destes parasitas a outras partes do corpo.



Reino:         Animalia
Filo:            Chordata
Classe:        Reptilia
Ordem:       Squamata
Subordem:  Sauria
Família:      Lacertidae
Género:      Psammodromus
espécie:      P. algirus


Imagens captadas na Quinta da Casa Nova, Cortiçadas de Lavre, Montemor-o-Novo





terça-feira, 26 de abril de 2016

Lacrau (ou Alacrau ou Escorpião)

(Buthus occitanus)
   Amoreux, 1789

Em Portugal é conhecido pela nome de lacrau ou alacrau. Tal como as aranhas e os ácaros, está incluído na classe dos aracnídeos.

Para que possa acompanhar o crescimento dos seus apêndices articulados o seu exoesqueleto quitinoso está sujeito a diversas mudas.

As aranhas e insectos fazem parte da sua dieta preferida, mas pode também alimentar-se de repteis e roedores de pequeno porte. Para a captura das presas de menor tamanho utiliza apenas as quelíceras, mas às de maiores dimensões injecta-lhes veneno com o seu aguilhão caudal. A ingestão dos alimentos processa-se de forma muita lenta, podendo durar uma a duas horas.

A sua actividade de predador é exercida preferencialmente à noite. De dia passa o tempo escondido debaixo de pedras ou em buracos.

O seu organismo é extremamente resistente a condições adversas, podendo viver em zonas áridas e com grandes amplitudes térmicas e pode sobreviver grandes períodos de tempo (dois ou até mesmo três anos) sem se alimentar.

No ritual de acasalamento a aproximação do macho à fêmea é feita com recurso a aviso prévio através da libertação de feromonas. Agarram-se pelas pinças como forma de se neutralizarem e  as caudas, levantadas, entrelaçam-se. Movem-se de um  lado para o outro, limpando a "pista de dança", até o macho expelir, para o chão o espermatóforo. Mantendo-se agarrados pelas pinças, a fêmea é empurrada até que o seu orifício genital fique em cima do espematóforo que acaba por ser por ela recolhido. Separam-se depois seguindo cada um sua direcção.

O escorpião é ovovivíparo, desenvolvendo-se os ovos fecundados no interior do corpo da mãe.

O seu corpo está divido em três partes: prosoma (parte anterior), mesosoma (mediana) e metasoma (caudal). As placas do prosoma estão fundidas e formam a carapaça, onde, a meio, se situam dois olhos medianos. Nos bordos ântero-laterais possui um grupo de dois a cinco olhos mais pequenos. O veneno é produzido por glândulas situadas no último segmento abdominal  que é dilatado e termina no aguilhão. As toxinas proteicas que constituem o veneno são de dois tipos: citotóxicas, que actuam localmente e neurotóxicas (hemolíticas, citolícas e hemorrágicas). O efeito do veneno varia de acordo com vários factores: idade e peso da vítima, espécie do animal e local da mordedura. O Buthus occitanus não é uma espécie muito perigosa. A picada provoca dor muito intensa e origina a formação de edema e pode provocar paralisação no membro atingido. Os sintomas podem ser de natureza diversa, como: hipotensão, cãibras, arrepios e ansiedade. O veneno,  é usado, como medida de defesa, com parcimónia, já que a sua utilização provoca um grande desgaste energético.

Apesar de possuir diversos olhos tem uma visão muito deficiente a ponto de um indivíduo não conseguir distinguir outro da mesma espécie a não ser por contacto. Em contrapartida tem um sentido do tacto muito desenvolvido, ajudado pela existência de pelos sensitivos ao longo de todo o corpo.

Das 1200 espécies conhecidas, apenas 30 são perigosas. Das 25 espécies do género Buthus  apenas o Buthus occitanus existe em Portugal e distribui-se por todo o território.

A vida de um escorpião pode chegar até aos 20 anos.

O seu tamanho pode variar de 1 a 20 cm, dependendo da espécie.

Há vestígios (fosseis) que atestam a existência de escorpiões há mais de 400 milhões de anos.

Reino:    Animália
Filo:       Arthropoda
Subfilo:  Chelicerata
Classe:   Arachnida
Ordem:  Scorpiones
Família:  Buthidae
Género:  Buthus
Espécie: B. occitanus

Imagens captadas na Quinta da Casa Nova, Cortiçadas de Lavre, Montemor-o-Novo









quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Cetonia opaca

(Netocia opaca) - Fabricius,1787

Este grande besouro pentâmero, negro com iridescência esverdeada,  pode atingir os 2,5 cm de comprimento e distribui-se pela zona do Mediterrâneo Ocidental (Europa e Norte de África).

O pólen e mesmo algumas partes das flores constituem a base da sua alimentação. Se a oportunidade surgir, não desdenha também a possibilidade de comer o próprio mel, invadindo as colmeias e saciando assim o apetite nos saborosos favos. As abelhas tentam impedi-lo dos seus intentos e rodeiam-no, mas todas a suas tentativas se revelam infrutíferas, visto que a dureza da quitina impede que elas o consigam picar. No norte de África, com temperaturas mais elevadas e devido à grande abundância de cetonias, a recolha do mel chega a ser inviabilizada. Para minimizar os efeitos destas invasões os apicultores recorrem à utilização de armadilhas e tentam, de diversas formas, impedir a entrada nas colmeias deste indesejado "visitante".

Reino:           Animalia
Filo:              Arthropoda
Subfilo:         Mandibulata
Classe:          Insecta
Subclasse:     Holometabola
Ordem:         Coleoptera
Subordem:     Polyphaga
Infraordem:   Scarabeiformia
Superfamília: Scarabaeoidea
Família:         Scarabaeidae
Subfamília:    Cetoniinae
Género:         Netocia
Espécie:        Opaca


Imagens captadas na Quinta da Casa Nova, Cortiçadas de Lavre, Montemor-o-Novo












terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Carocho Negro, cabeça-de-prego

(Capnodis tenebrionis) -  Linnaeus, 1758

Este coleóptero polífago, da família Buprestidae, prefere as regiões mais quentes para viver. Distribui-se por toda a zona do Mediterrâneo, ocupando também zonas do interior continental da Grécia, Turquia, Itália, Espanha, Portugal e Norte de África. Em Espanha a sua presença tem maior relevância em Valência, Extremadura, Aragão, Andaluzia, Castilla La Mancha e Múrcia.

 As suas larvas constituiem uma importante praga para diversas frutíferas, como o alperceiro, a amendoeira, o pessegueiro e a ameixeira. Ocasionalemte pode também atacar a pereira, a macieira, a figueira, a nogueira, a nespereira e a aveleira.

O abandono das fazendas, situações de secas devido à falta de chuva e a problemas de abastecimento de água para irrigação e inadequadas técnicas de cultivo são algumas das causas que contribuem para uma maior disseminação desta praga.

No Inverno os adultos refugiam-se nos arbustos ou mesmo nas pedras.Com o aparecimento do calor, lá para o fim de Março,  abandonam os abrigos e começam a atacar rebentos e pecíolos das folhas. Após algumas semanas de alimentação, a partir da segunda metade do mês de Maio, atingem a maturidade sexual e iniciam a postura, que se prolonga até ao início de Setembro, quando a temperatura começa a baixar. Cada fêmea deposita no solo, a uma profundidade de 3 a 12 cm, 250 a 300 ovos, morrendo decorridos 3 ou 4 dias. Os ovos tem 1,5mm de comprimento e 1mm de diâmetro. A rapidez da eclosão depende da temperatura, ocorrendo depois de 30 dias a uma temperatura de 20º, já a 35º demora apenas 7 dias.

As larvas recém-nascidas, recorrendo ao uso de pêlos abdominais e a movimentos de contorção, alojam-se nas raízes e caules das plantas abrindo galerias que vão preenchendo com serragem. Só cerca de 1 a 2% das larvas conseguem atingir as plantas, morrendo as restantes, mas, mesmo assim, são suficientes para nelas causarem graves danos.

Lesões nos órgãos vegetativos aéreos e folhas caídas no chão constituem sintomas da presença da praga nas plantas.

Reino:       Animalia
Filo:          Arthropoda
Classe:      Insecta
Ordem:     Coleoptera
Subordem: Polyphaga
Família:     Buprestidae
Género:     Capnodis
Espécie:    C Tenebrionis

Imagens captadas na Quinta da Casa Nova, Cortiçadas de Lavre, Montemor-o-Novo






















quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Escaravelho rinoceronte Europeu

Oryctes nasicornis (linnaeus, 1758)

Distribui-se por toda a Europa continental e Norte de África. Em certas regiões começa já a ser considerado raro e, por isso, tem protecção legal nalguns países.

 É considerado um dos besouros mais fortes, conseguindo deslocar cargas com cerca de 850 vezes o seu peso. Chega a atingir 6 cm de comprimento. O seu tamanho é influenciado pela quantidade e qualidade dos alimentos que ingere.

As asas são castanhas escuras e brilhantes. As pernas e a parte inferior do corpo são revestidos de pelos ruivos.

As larvas, cujo desenvolvimento dura dois anos, vivem em madeira, não resinosa, em decomposição de que se alimentam. Os adultos começam a voar entre Março e Maio e alimentam-se de nectar ou seiva, mas conseguem suportar grandes ausências de alimento, subsistindo das reservas acumuladas durante o estágios larvais.

O seu nome advém do facto de os machos adultos possuírem um chifre frontal curvado para trás, que utilizam para lutar. As fêmeas são dele desprovidas. Existe, assim, um acentuado dimorfismo sexual na espécie.

A Vespa Mamute (Megascolia Maculata), de que já falàmos, é um parasita das larvas do Besouro Rinoceronte europeu.

Reino:       Animalia
Filo:          Arthropoda
Classe:      Insecta
Ordem:     Coleoptera
Subordem: Polyphaga
Família:     Dynastidae
Género:     Oryctes
Espécie     O. nasicornis

Imagens captadas na Quinta da Casa Nova, Cortiçadas de Lavre, Montemor-o-Novo

Macho










Fêmea