segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Flagrantes do quotidiano



     Apeteceu-lhe dar uma volta pelo Parque dos Poetas. Chegado ao portão constatou que se encontrava encerrado. Resolveu ir até um outro que ficava próximo, também estava fechado. Bom, deve haver alguma razão para não abrirem hoje, pensou, só é pena a Câmara não ter mandado afixar um aviso com uma justificação. Intrigado com esta situação, como o objectivo era andar a pé, resolveu caminhar até outra entrada. No momento em que se depara com a  terceira também fechada, eis que chega um carro da Polícia Municipal com dois guardas, um de cada sexo. De imediato a agente sai munida de uma chave e dirige-se ao portão. Ao fim de diversas tentativas em que demonstrou algum nervosismo, lá conseguiu que a chave rodasse e o portão se abrisse.

 - Oiça, o portão vai ficar aberto?

- Quando se abre uma porta é para ficar aberta!

- Quando abro a da minha casa, normalmente, é só para entrar e fecho-a em seguida!

Explicou  à senhora que a sua pergunta se justificava pelo facto de ser já a terceira tentativa que fazia para entrar no Parque,  já se tinha confrontado com duas entradas fechadas e pretendia apenas saber se o mesmo ia ou não estar hoje aberto ao público ou se, pelo contrário, haveria alguma razão para se manter fechado, ao que ela retorquiu:

 - Isto tem um horário, abre só às dez, não podemos abrir todas as entradas ao mesmo tempo e alguns telefonam-nos sempre a fazer queixas.

Ela olhou para o relógio, ele olhou para o dele, eram dez horas e quarenta e cinco minutos. Desejou-lhe um bom dia, ela nem para ele olhou e pôs-se ao fresco, toda inchada de autoridade!


  
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