quarta-feira, 10 de março de 2010

Flexibilidade Versus intransigência


Longe vai o tempo em que era absolutamente intransigente na defesa dos meus pontos de vista sempre que me considerava com razão. Significa isto que deixei de ter opinião própria, mudando a cada momento, qual vime que se vira para qualquer um dos lados bastando para tanto que a mais leve brisa mude de direcção? Nada disso, quero apenas dizer que estou sempre disposto a aceitar analisar também os pontos de vista dos outros! Acredito agora que, quando não existem razões para duvidar das opiniões dos meus interlocutores, quando estou convicto que agem de boa fé, eles poderão também ter as suas razões fundadas para discordar de mim. Ou seja, é para mim ponto assente que ninguém é detentor da verdade absoluta podendo a mesma apresentar-se sob as mais diversas facetas. Esta atitude é fomentadora de diálogo e é absolutamente necessária se quizermos evoluir no conhecimento.
Na verdade, se apenas consideramos como bons os nossos pontos de vista e má a maneira de ver dos que de nós divergem, vamos a pouco e pouco criando uma impermeabilização que nos impede de aceder a novos conhecimentos. Qual será então a atitude correcta a assumir em relação aqueles que discordam de nós? Uma postura de modéstia da nossa parte parece-me que nos pode ajudar imenso na nossa evolução. Se eu partir do pressuposto que nalgumas matérias, porventura na maioria, o meu interlucotor pode muito bem ser-me superior e nesse caso existe a possibilidade de com ele muito poder aprender, estou já a criar a receptividade necessária para poder evoluir. Mesmo que, aparentemente, me possa parecer que eu tenha condições para ser possuidor de maior saber que o meu semelhante não devo ignorar que ele poderá ter passado, e certamente passou, por experiencias de vida enriquecedoras que a mim me passaram completamente ao lado. Nesse sentido, e generalizando, posso, sem dúvida, afirmar que com todo o ser pensante, com que me cruzo no dia a dia, eu posso aprender. Apenas depende de mim que isso aconteça ou não. Depende da minha receptividade, da minha humildade e paciência em ouvir os outros! É por isso que entendo que não devemos fazer juizos de valor demasiado rápidos sobre os nossos interlocutores acidentais, sob pena de nos enganarmos quase sempre. Antes disso devemos ouvi-los com atenção, pedir-lhes que nos esclareçam as nossas dúvidas. Concluõses definitivas só as devemos tirar depois de conhecermos a maneira de ser, de estar, de agir, de pensar, os valores que se defendem, o modo como se comportam em sociedade... ... A intransigência fomenta o isolamento, visto que aquele que a usa vai perdendo a capacidade de análise. Refugia-se sistematicamente no seu ponto de vista, serve-se de clichês, tornando-se impermeável à aquisição de novos conhecimentos. Deixa de evoluir.
Aprender a ouvir é condição indispensável para poder haver aprendizagem!
Um dia, quem sabe, poderemos voltar a debater este e outros temas se conseguiu ter a paciência para aturar as minhas divagações.
Passe bem e tenha muita saúde.
Jogilbo
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